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Como a nanotecnologia ajuda a melhorar a performance de atletas?

A história do esporte proporcionou à humanidade décadas de discussões sobre quem é o melhor, o mais rápido e o mais forte. Mesmo que muitas dessas características sejam motivadas pela dedicação, pela genética e, porque não, pelo talento puro dos atletas, a tecnologia — em especial a nanotecnologia — tem um papel cada vez maior no desempenho dos esportistas.

A nanotecnologia é descrita como o ramo da tecnologia que lida com dimensões e tolerâncias menores do que 100 nanômetros, especialmente a manipulação de átomos e moléculas individuais.

Esportes como tênis, esqui, natação, ciclismo e golfe experimentaram a revolução da nanotecnologia de forma abrangente, principalmente para melhorar o desempenho relativo à velocidade. Agora, esportes como o futebol e futebol americano estão brincando com as nano-possibilidades, mas por razões muito diferentes.

A tecnologia de nível molecular tem a capacidade de mudar o cenário do esporte de forma definitiva. Quer saber mais sobre o assunto? Então confira o artigo a seguir!

O estado atual da nanotecnologia

A nanotecnologia tem potencial para realizar muitas proezas esportivas: fazer bolas de tênis durarem mais, produzir mais potência em tacos de golfe e tacos de hóquei, criar um maiô mais hidrodinâmico e reduzir o peso de um quadro de bicicleta o suficiente para que ele seja inacreditavelmente leve.

Nesse exemplo, as estruturas de ciclismo agora dependem muito da fibra de carbono para estabelecer a relação força/peso, o que são 18% superiores ao alumínio e 14% em relação ao aço.

A resina (uma matriz de fibra de carbono) é muitas vezes composta de nanotubos de carbono (uma nanoestrutura cilíndrica). A união de tudo isso usando fibra de carbono faz um quadro de bicicleta forte e efetivamente leve. Os quadros agora podem ser produzidos para pesar menos de 7 quilos, mas muitas vezes precisam pesar um pouco mais para que ainda sejam elegíveis para competições.

Para os ciclistas profissionais, a leveza tem vantagens comprovadas em diversas pesquisas e competições ciclísticas. Os resultados mostraram que a bicicleta mais leve ganha, em média, 6 segundo de diferença em relação a uma que usa alumínio ou aço em seu quadro, resultados suficientes para convencer atletas e fãs de esportes de que a nanotecnologia tem a capacidade de mudar a perspectiva de uma competição.

Caso o exemplo do ciclismo não seja suficiente, as águas da natação podem convencer você do poder da nanotecnologia. Conforme explicado pelo jornal inglês The Guardian, depois de 168 recordes mundiais terem sido quebrados por nadadores competitivos vestindo maiôs cobertos com nanopartículas repelentes de água, o órgão internacional do esporte baniu esse tipo de material por dar aos competidores uma vantagem injusta.

Esses maiôs eram os LZR Racer, da Speedo, que foram usados durante os Jogos Olímpicos de Pequim em 2008 e produziram mais de 90% das medalhas de ouro ganhas. Os trajes não só usavam nanopartículas repelentes de água, mas aumentavam a flutuabilidade e reduziam o arrasto devido à sua construção única de painéis de poliuretano.

O que foi apelidado de “vantagem injusta”, neste caso, pode ser diretamente atribuído à nanotecnologia. Por causa disso, os esportes e seus órgãos internacionais precisam entender como julgar e interpretar o uso da nanotecnologia no contexto dos esportes.

Um debate complexo

Esse dilema sobre a relação entre o esforço humano e a tecnologia envolvida no esporte atingiu o ponto em que o uso de certos materiais e equipamentos é chamado de “doping tecnológico”.

A Agência Mundial Antidoping começou a olhar os desenvolvimentos dentro da comunidade científica com mais atenção desde 2009 para garantir competições mais justas. No entanto, há uma distinção entre fazer algo que é contra as regras e introduzir algo novo que não é (ainda) contra as regras.

Em outras palavras, as regras do jogo são decididas por associações esportivas internacionais. E, como vimos no exemplo da natação, esses grupos são responsáveis por permitir ou não o uso da nanotecnologia dentro de seus respectivos esportes.

Em algum momento, todos podem começar a questionar se um recorde foi quebrado por causa da habilidade do atleta ou pelo poder de fogo de um equipamento esportivo. No entanto, existem maneiras em que a nanotecnologia pode ajudar a melhorar os esportes coletivamente.

O futuro da nanotecnologia

O futebol americano é um daqueles esportes em que cada centímetro conta. Mas, com o aumento dos casos de concussão, a nanotecnologia pode estar na vanguarda de um novo movimento: o futebol pode se tornar um esporte em que cada nanômetro conta.

Tecnologias de tamanho atômico estão sendo usadas por pesquisadores de universidades e departamentos de desenvolvimento de empresas de equipamentos esportivos para ajudar a monitorar e coletar dados sobre traumatismos cranianos.

Ao injetar nanopartículas na espuma dos capacetes, qualquer impacto criará uma saída elétrica, ou uma carga, por assim dizer. Essa nova espuma está sendo chamada de ExoNanoFoam. Não apenas protege contra concussões e traumas, mas também gera dados.

Esses dados são transmitidos por microcontroladores colocados em cada capacete que enviam sinais para um dispositivo portátil que é capaz de fornecer informações em tempo real sobre qualquer acerto.

Assim, um técnico tem a capacidade de saber, em segundos, a dimensão do impacto que cada jogador recebe na cabeça. Mesmo se um jogador parece estar bem, é possível ter dados consistentes para cuidar melhor da saúde desses atletas.

Nanoevolução

Assim, a nanotecnologia não apenas pode ser usada para obter uma vantagem competitiva, mas também para ajudar na melhoria dos esportes como um todo. O avaliador de concussão é apenas o primeiro passo de uma longa jornada.

O problema é que podemos estar cruzando uma fronteira moral. Claro, a nanotecnologia pode ser usada para obter uma vantagem, mas qual é o limite? No processo de criação de um quadro de bicicleta mais leve ou de movimentos mais hidrodinâmico, corremos o risco de desfocar a linha entre a velocidade do atleta e a velocidade da roupa.

Naturalmente, a nanotecnologia que transforma humanos em atletas biônicos ainda pode estar muito distante. No entanto, é importante pensar no futuro e estar preparado para tomar uma decisão quando chegar a hora.

Se esta tecnologia continuar a evoluir ao ritmo atual, eventualmente o futebol americano e o ciclismo não serão suficientes para desafiar os atletas. Você está pronto para uma batalha de ciborgues?

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