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Esporte paralímpico: como ele transforma a vida dos atletas

Esporte paralímpico: como ele transforma a vida dos atletas

Especialmente depois das Paralimpíadas de 2016, que ocorreram no Rio de Janeiro, o Brasil se firmou perante o mundo como um país com tradição no esporte paralímpico. Isso quer dizer que hoje as pessoas com deficiência que praticam esportes, podem fazer deles sua profissão, o que significa poder se dedicar apenas aos treinos. É isso o que melhora sua performance e o nível das competições.

Este fato tem inúmeros efeitos positivos, tanto para o atleta como para a sociedade que o acolhe, e neste texto vamos refletir mais sobre eles. Continue lendo!

Um pouco de história

A nível mundial, desde o final do século XIX, já havia clubes que incentivavam esportes, e mesmo disputas, entre pessoas com deficiência, como golfe entre surdos, inclusive aqui no Brasil. Nos Estados Unidos, a partir da década de 1920, já havia natação e atletismo para deficientes visuais. Mas o primeiro paratleta em uma competição olímpica apareceu em 1904.

Porém, só se pode, de fato, começar a falar de Jogos Paraolímpicos a partir do fim da Segunda Guerra Mundial. O neurologista e neurocirurgião Ludwig Guttmann, que trabalhava no hospital da cidade de Stoke Mandeville, na Inglaterra, passou a incentivar seus pacientes, ex-soldados tornados deficientes no conflito, a praticar esportes como parte do tratamento. Ele constatou que, além das melhoras na resistência e flexibilidade do corpo, eles também recuperavam a própria autoestima, e tanto um ganho quanto outro interferiam diretamente na sua qualidade de vida.

Com o tempo, este tratamento deixou de ser apenas recreação para ter também o objetivo de competição. Em 1948, Guttmann organizou entre eles uma competição de tiro com arco, ao mesmo tempo em que aconteciam as Olimpíadas naquele ano, em Londres. Em 1952, militares holandeses foram convidados a participar das competições no Hospital Stoke Mandeville, o que tornou o evento internacional.

Mas as primeiras Paraolimpíadas organizadas por um Governo só viriam em 1960, em Roma, depois das Olimpíadas, disputadas na mesma cidade. Participaram 400 paratletas, de 23 países.

O Brasil entrou nesta história a partir de 1958, quando Sérgio Serafim Del Grande, de São Paulo, e Robson Sampaio de Almeida, do Rio de Janeiro, ambos paraplégicos, procuraram tratamento nos Estados Unidos, e entraram em contato com esportes adaptados a atletas com deficiência, como basquete em cadeira de rodas. Na volta, fundaram clubes de esportes adaptados em suas respectivas cidades. Mas o envio da nossa primeira delegação a uma Paraolimpíada só aconteceu em 1972, para Heidelberg, na Alemanha.

Em 1995, foi fundado o Comitê Paralímpico Brasileiro (PCB), que cuida do esporte paralímpico brasileiro.

A participação do Brasil se destacou principalmente nas cinco últimas Paraolimpíadas, a partir de 2000, em Sydney, e um dos fatores para isso foi a aprovação da Lei Agnelo Piva, em 2001.

Tal lei, destina uma quantidade maior da arrecadação das loterias federais para o desenvolvimento do esporte paralímpico: construção de centros de treinamento, investimentos em próteses e outros aparelhos com tecnologia mais avançada e possibilidade de fornecer bolsa a competidores de diferentes níveis e modalidades fazem com que eles possam se dedicar exclusivamente aos treinos, melhorando muito o nível técnico nas competições.

Outra consequência é que estamos mandando cada vez mais participantes a estas competições.

Benefícios

Para o atleta

Há muitas pessoas que, ao descobrirem uma deficiência, se isolam em vez de interagir e buscar meios de superar as próprias dificuldades. O esporte é um dos melhores antídotos contra isso, de forma que haja um estímulo a mais para superação das próprias dificuldades, tornando-se exemplo para os que convivem com ela ou ficam conhecendo sua história.

Há vários casos em que a briga para chegar a participar de uma Paralimpíada é menor do que o enfrentamento de todas as dificuldades que vieram antes disso. A pessoa vai se acostumando a ter resiliência e foco para chegar aos resultados que deseja. E cria uma rede de apoio em torno de si, que a ajuda a correr atrás dos seus sonhos.

Para a sociedade

A sociedade também ganha muito ao prestar mais atenção nas necessidades destas pessoas. Em primeiro lugar, o público vai se acostumando a ver pessoas com deficiência se superando nos esportes, e esta é uma das melhores maneiras de diminuir o preconceito. Isso ficou muito claro na edição de 2016 das Paralimpíadas. Os paratletas se tornam heróis, inspirando novas gerações, de atletas e paratletas, ou mesmo em outros âmbitos.

Além disso, mais gente passa a lutar pela melhoria da acessibilidade e pela resolução de outros problemas que antes não eram mencionados, portanto ignorados. Em outras palavras, amplia-se o debate, as pessoas com deficiência deixam de ser invisíveis. Isso aumenta suas chances de se tornarem mais atuantes em outras áreas da sociedade, principalmente no mercado de trabalho.

O custo com esportes também diminui os gastos com a saúde, já que eles previnem várias doenças físicas, mentais e psicológicas.

O desenvolvimento atual do esporte paralímpico no Brasil corresponde à seguinte corrente: quanto melhor o desempenho das delegações brasileiras, mais estes esportes chamam a atenção, conseguem mais público, portanto mais atenção da mídia e mais investimentos públicos e privados e, assim, a estrutura vai se mantendo e ampliando para que possa descobrir e treinar novos talentos.

Pois, ao contrário do esporte para pessoas sem deficiência, um paratleta não nasce pronto: é necessário muito investimento, porque é durante os treinos que se percebe se ele poderá ser de alto rendimento. Além disso, dificilmente um atleta com deficiência é descoberto por acaso, fora de associações ou escolinhas parceiras de centros de treinamento.

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