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O que esperar da nova geração de esportistas no Brasil?

Entre julho e agosto de 2020 ocorre em Tóquio, no Japão, mais uma edição dos Jogos Olímpicos. A competição servirá, novamente, como termômetro para o nosso país. Afinal, o que esperar da nova geração de esportistas no Brasil? Não apenas nas Olimpíadas, como nas mais variadas modalidades, há sinais positivos – e outros nem tanto.

Após o expressivo resultado que o país alcançou nos Jogos de 2016, quando sediou e conquistou a melhor posição da história, muito se debateu sobre o futuro dos diversos esportes – e, claro, dos atletas. Mas, afinal, a nova geração de esportistas do Brasil pode ir mais longe? É disso que iremos tratar neste artigo.

Uma geração conectada

Há décadas ou até mesmo anos atrás, encontrar novos talentos no país era uma árdua tarefa. Pudera: nosso território é continental e saber quem é bom em cada modalidade tornava-se quase que impossível. Assim, os potenciais atletas ficavam restritos a poucas metrópoles no Brasil.

Um exemplo são os ginastas de Curitiba, as modalidades aquáticas no Rio de Janeiro e o atletismo na Região Metropolitana de São Paulo. Contudo, o mundo conectado mudou esse panorama. Atualmente, é possível encontrar joias das mais variadas modalidades em qualquer canto do país.

Os recursos em vídeos, aplicativos de mensagens e a capacidade de alcance dos últimos anos ampliou a conexão entre técnicos, clubes e instituições de ensino com os proeminentes atletas. Partindo desse pressuposto, podemos afirmar: a nova geração do Brasil vem para se tornar, se não a maior da história, a mais icônica. E há motivos claros para isso.

Crescimento sinaliza uma ‘geração de ouro’

Com mais tecnologia e acesso aos atletas, também aumentou a capacidade de medir o desempenho, analisar estatísticas e preparar o esportista desde cedo. Foi o que ocorreu nas Olimpíadas de 2016 em relação às edições de 2012, Londres, e 2008, Pequim. Os atletas foram acompanhados durante seu crescimento esportivo – o que ajuda a direcionar potenciais e corrigir falhas.

Soma-se isso a Bolsa Atleta, instituída em 2005 pelo Ministério do Esporte e que, até 2018, já tinha investido mais de R$ 1,1 bilhão para atletas olímpicos. Assim, o Brasil experimentou algo até então nunca visto: a preparação dos atletas na juventude e o financiamento de modalidades que antes poderiam passar despercebidas.

Um terceiro e importantíssimo ponto é o investimento do Ministério da Defesa nos atletas militares. Jovens potenciais que entraram para o Exército, Aeronáutica e Marinha foram responsáveis por 13 das 19 medalhas que o Brasil conquistou nas últimas Olimpíadas. Tudo em decorrência de uma preparação direcionada, disciplinada e organizada.

O passado encontra o futuro

Cada vez mais fácil conhecer os potenciais atletas do Brasil, medir seu desempenho, com investimento e infraestrutura, o panorama atual nos sinaliza algo bastante positivo. A nova geração de esportistas do país nunca teve tantos recursos. E, mais ainda, atletas para se inspirar, o que dá o combustível necessário para buscarem ser os maiores do mundo.

Exemplos não faltam. A equipe masculina de atletismo foi campeã no 4x100m no Campeonato Mundial de Revezamentos em Yokohama 2019. O feminino, mesma modalidade, atingiu a histórica quarta posição. Ana Marcela Cunha se tornou a maior medalhista da história (10 no total) em Mundiais de natação de águas abertas.

Voltando um pouco mais, em 2013, o Brasil foi campeão do handebol feminino. O vôlei, de quadra e praia, continua com o país sendo uma potência – mesmo panorama do futebol. No surfe, Gabriel Medina trouxe a coroa para o país.

Nos Jogos Pan-Americanos de Lima, que estão em andamento, o Brasil já tem 115 medalhas. Ou seja, exemplos não faltam e mostram que a geração anterior se encontra e inspira o futuro esportivo brasileiro.

Situações ‘travam’ nova geração

Lembra do Bolsa Atleta citada anteriormente? Apesar de ainda existir, sofreu um corte drástico no final de 2018. Isso deixou muitos potenciais atletas a mercê de custos do próprio bolso. Sim, uma realidade que parece ser do século passado ainda assombra a nova geração brasileira.

Não à toa, em algumas modalidades, os resultados e recordes não são superados há mais de 30 anos, como a marca de Robson Caetano nos 100 metros. A recente crise econômica, aliada aos casos de corrupção no esporte brasileiro, continuam travando inúmeras situações.

Um novo modelo

Apesar disso, pode se esperar da nova geração de esportistas no Brasil algo que só tende a crescer: a valorização do esporte. A última Copa do Mundo de Futebol Feminino, na França, mostrou isso. Os meios de comunicação fizeram a maior cobertura da história do torneio – muito em sintonia com as redes sociais.

Com mais torcedores, espectadores, aficionados e entusiastas, a prática esportiva no país deixou de ser algo da Educação Física na escola. A atividade passou a ser entendida como um sonho possível. A ciência esportiva aplicada aos campos, quadras, piscinas, pistas, arenas e academias possibilita vislumbrar algo grandioso.

Maiores, melhores, mais rápidos

Tudo o que discutimos aqui sobre a nova geração de esportistas no Brasil pode ser resumido em atletas maiores, melhores, mais rápidos e, principalmente, com acesso à educação. Atualmente, as políticas esportivas priorizam não apenas a formação física, mas intelectual das crianças.

Apesar de uma escassez de dados qualitativos e quantitativos sobre como estão as modalidades menos praticadas no país – aquelas que não são coletivas ou ‘clássicas’, como natação e atletismo -, o que o Brasil experimentou na atual década mostra que a famosa mistura de povos e abrangência continental do território permitem nos colocar no topo.

Até lá, é importante que quem ama os esportes encontre, principalmente por meio de inovações esportivas – como redes sociais voltadas às práticas – novos talentos, maneiras de se comunicar e oferecer algo para o esporte brasileiro. Além do futebol, onde historicamente somos referência, outros atletas e modalidades pedem passagem.

Como o esporte é uma surpresa, torna-se difícil apontar se a nova geração será a de ‘ouro’ que tanto sonhamos. Afinal, apesar do investimento e infraestrutura, o talento sempre aparece das formas mais inusitadas possíveis. O importante é saber encontrá-las e direcionar para o caminho certo.

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