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Presença da mulher como fã do esporte brasileiro

Presença da mulher como fã do esporte brasileiro

Quem está acostumado a assistir esportes, seja pessoalmente ou pela televisão, sabe bem que os estádios e quadras costumam ser um território dominado por testosterona. Dessa forma, apesar de torcida ser um substantivo feminino, é muito comum que essa massa de fãs seja bem masculina e que esse mesmo público, dominado por homens, tenda a observar com aversão a presença das mulheres torcendo, gritando e se animando a cada lance ou jogada.

Mas, afinal, qual o lugar feminino como fã de esporte? E, aqui, ao pensar em esportes, não se pode considerar apenas o futebol, mas também uma série de modalidades, como basquete, handebol, tênis e tantos outros segmentos que atraem o público em diferentes lugares. Será que há espaço para elas em um universo em que tantos “eles” se fazem presente? Entenda.

Percepção social

Se alguém pedisse para você imaginar o público presente em um evento esportivo, o que viria à sua mente? Os fãs seriam homens ou mulheres? Você, provavelmente, imaginou, quase que de imediato, um grupo de rapazes sentados assistindo a um jogo juntos, não é mesmo?

Como é comum, a maioria das pessoas tende a pensar que esse público é formado por homens e tudo isso se deve a um conjunto de estereótipos que leva a população a considerar que o mundo do esporte é um território masculino, enquanto as mulheres restaria apenas o pré-conceito de que são fãs assíduas de programas culinários, de moda ou até mesmo novelas – mesmo que pesquisas apontem que apenas 42% delas assistam às tramas.

Ainda assim, tomando como base esse senso comum já instituído na sociedade, os profissionais de marketing esportivo também acabam se concentrando nos fãs do sexo masculino, ignorando uma parcela significativa de sua base de fãs: aquela composta pelas moças e senhoras. Dessa forma, apesar de 60% da população feminina relata assistir esportes regularmente, o não reconhecimento dessa parcela só vem reforçar uma questão que está cada vez mais latente.

Atualmente, os homens jogam, os homens anunciam, os homens compram ingressos e os homens assistem aos jogos. No entanto, essas noções pré-concebidas sobre esportes estão se tornando menos relevantes e, acima de tudo, estão sendo alteradas dia após dia.

A presença das mulheres

Mesmo com a visão social de que o lugar cativo na torcida esportiva pertence aos homens, as mulheres têm mostrado que a situação é bem diferente do que parece.

Uma pesquisa realizada pelo GLOBO, por exemplo, mostrou que 80% das brasileiras torcem por algum time de futebol. De acordo com o Datafolha, esse número era de apenas 29% em 1993, o que aponta um grande crescimento nos últimos vinte e seis anos, quase que concomitantemente com o avanço dos direitos e do empoderamento feminino.

Em outros esportes, por sua vez, elas também mostraram que estão dominando boa parte da base de fãs. Segundo a jornalista Kelly Angus, em seu artigo sobre a temática, as mulheres já representam ao menos 50% da torcida de outras práticas, como o beisebol e o basquete.

Assim, para mostrar que a arquibancada é feminina, elas ergueram seus punhos, hastearam suas bandeiras, levaram os gritos mais agudos aos locais e, acima de tudo, a energia para lutar. Lutar por igualdade, lutar pelo esporte que torcem, lutar pelo direito de estarem ali, sem restrições.

E se você pensa que as restrições não existem, se engana. Na Itália, por exemplo, a Lazio, tradicional clube local, vetou as mulheres dos estádios, alegando que não admitia esposas, namoradas ou qualquer outra pessoa do gênero feminino sentada na primeira fileira, pois aquele era um “lugar sagrado” para os homens.

Por sorte, apesar de o Brasil ainda ter muito que aprender e crescer no que diz respeito à admissão e ao entendimento de que mulheres podem – e devem – gostar de esportes, é inegável que o espaço delas está sendo gradativamente conquistado. Nos clubes tupiniquins, inclusive, as torcidas que se destacam com maior quantidade feminina em estádio são a do Flamengo, com 14 milhões e do Corinthians, com 11 milhões, demonstrando que elas são aceitas onde quiserem.

Os desafios ainda existem

É difícil ser uma fã de esportes cercada por homens. Alguém inevitavelmente perguntará há quanto tempo você torce, por que torce e alguns até tentarão testá-la com perguntas para provar se merece ou não o título de torcedora.

Além das dúvidas frequentemente levantadas, as mulheres ainda são acusadas de estarem torcendo por influência masculina, para atrair os olhares dos homens ou até mesmo para seguir algum modismo, especialmente na Copa do Mundo.

Tendo isso em vista, o primeiro passo para mudar a perspectiva do gênero feminino na indústria do esporte, é entender que existe um viés contra as mulheres em todas as suas facetas e que esse viés precisa ser extinto de uma vez por todas.

É preciso conjecturar que o lugar de uma mulher no esporte não é apenas para ser uma líder de torcida, embelezar as arquibancadas ou para tentar vender, publicitariamente, algo para um homem torcedor. O lugar da mulher é, sim, como fã e não apenas ali, mas onde ela quiser.

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